A
DECO avaliou os sistemas digitais de apoio ao cliente de 24 empresas
de 8 setores essenciais da economia, desde as comunicações
eletrónicas à energia, passando pela banca, mobilidade, saúde,
comércio eletrónico, serviços digitais e turismo. Os resultados
não são, porém, animadores: numa escala entre o Muito Mau e o
Muito Bom, a maioria das empresas situa-se entre o Mau e o Razoável.
A avaliação da DECO incidiu sobretudo sobre os chatbots e formulários
online, os dois mecanismos que hoje dominam os sistemas de contacto
das empresas, estando presentes em mais de metade das empresas
analisadas. Contudo, a existência destes canais não significa que o
consumidor tenha um melhor apoio das empresas. Pelo contrário, a
experiência de contacto revelou percursos complexos, menus
sucessivos e sistemas que limitam a exposição livre do problema. Em
vários casos, os chatbots funcionam essencialmente como instrumentos
de triagem, encaminhando o consumidor para perguntas frequentes ou
para novos formulários, sem permitir que a reclamação seja
formalmente registada no próprio fluxo da conversa.
A
investigação da DECO revelou também uma tendência preocupante: o
próprio conceito de “apoio ao cliente” está a desaparecer dos
websites das empresas. Em muitos casos, é substituído por
expressões mais neutras como “ajuda”, “opiniões” ou
“dúvidas”, diluindo a identificação clara do canal de apoio e
tornando menos evidente o exercício dos direitos do consumidor. À
autoajuda das perguntas frequentes juntou-se, agora, o
“autoatendimento”!
A
DECO identificou ainda situações em que os clientes registados ou
com estatuto premium obtêm uma resolução mais rápida ou
facilitada dos seus problemas, criando um tratamento diferenciado
entre os consumidores.
Perante
estes resultados, a Associação alerta para um risco crescente: a
digitalização do atendimento ao cliente está a transformar-se num
sistema cada vez mais difícil de utilizar. A DECO defende, por isso,
que o acesso a um interlocutor humano - nesta fase em que a IA revela
ainda uma capacidade limitada - deve continuar a ser a base do apoio
ao cliente, e não uma possibilidade residual.
A
DECO apresentou um conjunto de Recomendações dirigidas ao Governo e
às empresas. Entre as principais propostas estão:
A
consagração legal do direito do consumidor a contactar um
interlocutor humano quando o solicite;
A
proibição de práticas que criem entraves ou discriminação no
acesso à reclamação, incluindo situações em que consumidores
premium obtêm tratamento preferencial;
A
obrigatoriedade de disponibilizar um contacto por email e telefone
claramente identificável;
A
garantia de que os chatbots permitem sempre o acesso imediato a um
operador humano;
A
obrigação de informar previamente o consumidor quando está a
interagir com um assistente virtual;
A
definição de prazos máximos de resposta e limites de espera nos
chats e linhas telefónicas.
Para
assinalar o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, a mensagem da
DECO é clara: o apoio ao cliente das empresas deve servir para
resolver os problemas dos consumidores e não para os deixar a “falar
pró boneco”.
A
Procissão dos Passos é uma das manifestações mais marcantes da
Quaresma em muitas localidades de Portugal e não só. Ela, recria
simbolicamente o percurso de Jesus Cristo desde o Pretório até ao
Calvário, representando episódios da Paixão de Cristo.Assim,
a música desempenha um papel central na atmosfera da procissão.
Normalmente é executada por Bandas de Música Civis locais ou
contratadas para o efeito, caracterizando-se por: marchas fúnebres
lentas, cujo ambiente sonoro típico, ajuda os participantes e
espetadores a entrar num espírito de reflexão sobre o sofrimento de
Cristo.
Durante
a procissão, a música alterna com outros elementos sonoros
característicos: Silêncio profundo entre os “passos”, Cânticos
litúrgicos ou motetes executados por coros, Toques de tambor surdo
marcando o compasso, muitas vezes ajudando à cadência de quem
transposta os andores.
Em
alguns locais, cânticos tradicionais populares ligados à Paixão e
ainda atendendo à tradição local, em muitas aldeias, vilas e
cidades portuguesas, especialmente no norte e centro, cada “Passo”
(pequeno oratório que marca uma estação do percurso) é
acompanhado por uma pausa da procissão, leitura bíblica e música
apropriada.
Entre
outras, deixo alguns exemplos das peças mais tocadas pelas bandas:
“Concha” e “Mater Mea”, muito populares em procissões
ibéricas, sendo lentas e expressivas, muito usada em momentos
solenes da Quaresma. Também os compositores europeus clássicos nos
deixaram as “marchas Fúnebre de Chopin, de Verdi de Beethoven e
outros.Também
em Portugal existe um variado número de marchas fúnebres escritas
por compositores nacionais, cujas bandas de música portuguesas
partilham esses repertórios há décadas. Partituras circulavam
entre coletividades e gerações de músicos, criando um “cânone”
informal de marchas adequadas à “Procissão dos Passos”.
Essas
mesmas, na sua linguagem emocional usam: tonalidades menores,
melodias longas e cantáveis, harmonias densas em metais, criando uma
atmosfera de luto e contemplação, perfeitamente alinhada com a
memória da Paixão de Cristo.
Concluindo,
os músicos tocam o que o maestro indica; contudo, é de bom tom que
este perceba e compreenda a narrativa que descrevo, tirando as
devidas notas e conclusões, em respeito pela tradição musical,
mormente pela cerimónia em que se insere.
(Texto
enviado pelo maetro e compositor Francisco
M. Relva Pereira)