A Procissões do Senhor dos Passos e as suas marchas
A
Procissão dos Passos é uma das manifestações mais marcantes da
Quaresma em muitas localidades de Portugal e não só. Ela, recria
simbolicamente o percurso de Jesus Cristo desde o Pretório até ao
Calvário, representando episódios da Paixão de Cristo.Assim,
a música desempenha um papel central na atmosfera da procissão.
Normalmente é executada por Bandas de Música Civis locais ou
contratadas para o efeito, caracterizando-se por: marchas fúnebres
lentas, cujo ambiente sonoro típico, ajuda os participantes e
espetadores a entrar num espírito de reflexão sobre o sofrimento de
Cristo.
Durante
a procissão, a música alterna com outros elementos sonoros
característicos: Silêncio profundo entre os “passos”, Cânticos
litúrgicos ou motetes executados por coros, Toques de tambor surdo
marcando o compasso, muitas vezes ajudando à cadência de quem
transposta os andores.
Em
alguns locais, cânticos tradicionais populares ligados à Paixão e
ainda atendendo à tradição local, em muitas aldeias, vilas e
cidades portuguesas, especialmente no norte e centro, cada “Passo”
(pequeno oratório que marca uma estação do percurso) é
acompanhado por uma pausa da procissão, leitura bíblica e música
apropriada.
Entre
outras, deixo alguns exemplos das peças mais tocadas pelas bandas:
“Concha” e “Mater Mea”, muito populares em procissões
ibéricas, sendo lentas e expressivas, muito usada em momentos
solenes da Quaresma. Também os compositores europeus clássicos nos
deixaram as “marchas Fúnebre de Chopin, de Verdi de Beethoven e
outros.Também
em Portugal existe um variado número de marchas fúnebres escritas
por compositores nacionais, cujas bandas de música portuguesas
partilham esses repertórios há décadas. Partituras circulavam
entre coletividades e gerações de músicos, criando um “cânone”
informal de marchas adequadas à “Procissão dos Passos”.
Essas
mesmas, na sua linguagem emocional usam: tonalidades menores,
melodias longas e cantáveis, harmonias densas em metais, criando uma
atmosfera de luto e contemplação, perfeitamente alinhada com a
memória da Paixão de Cristo.
Concluindo,
os músicos tocam o que o maestro indica; contudo, é de bom tom que
este perceba e compreenda a narrativa que descrevo, tirando as
devidas notas e conclusões, em respeito pela tradição musical,
mormente pela cerimónia em que se insere.
(Texto
enviado pelo maetro e compositor Francisco
M. Relva Pereira)
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