quinta-feira, 12 de março de 2026

A Procissões do Senhor dos Passos e as suas marchas

A Procissão dos Passos é uma das manifestações mais marcantes da Quaresma em muitas localidades de Portugal e não só. Ela, recria simbolicamente o percurso de Jesus Cristo desde o Pretório até ao Calvário, representando episódios da Paixão de Cristo.Assim, a música desempenha um papel central na atmosfera da procissão. Normalmente é executada por Bandas de Música Civis locais ou contratadas para o efeito, caracterizando-se por: marchas fúnebres lentas, cujo ambiente sonoro típico, ajuda os participantes e espetadores a entrar num espírito de reflexão sobre o sofrimento de Cristo.

Durante a procissão, a música alterna com outros elementos sonoros característicos: Silêncio profundo entre os “passos”, Cânticos litúrgicos ou motetes executados por coros, Toques de tambor surdo marcando o compasso, muitas vezes ajudando à cadência de quem transposta os andores.

Em alguns locais, cânticos tradicionais populares ligados à Paixão e ainda atendendo à tradição local, em muitas aldeias, vilas e cidades portuguesas, especialmente no norte e centro, cada “Passo” (pequeno oratório que marca uma estação do percurso) é acompanhado por uma pausa da procissão, leitura bíblica e música apropriada.

Entre outras, deixo alguns exemplos das peças mais tocadas pelas bandas: “Concha” e “Mater Mea”, muito populares em procissões ibéricas, sendo lentas e expressivas, muito usada em momentos solenes da Quaresma. Também os compositores europeus clássicos nos deixaram as “marchas Fúnebre de Chopin, de Verdi de Beethoven e outros.
Também em Portugal existe um variado número de marchas fúnebres escritas por compositores nacionais, cujas bandas de música portuguesas partilham esses repertórios há décadas. Partituras circulavam entre coletividades e gerações de músicos, criando um “cânone” informal de marchas adequadas à “Procissão dos Passos”.

Essas mesmas, na sua linguagem emocional usam: tonalidades menores, melodias longas e cantáveis, harmonias densas em metais, criando uma atmosfera de luto e contemplação, perfeitamente alinhada com a memória da Paixão de Cristo.

Concluindo, os músicos tocam o que o maestro indica; contudo, é de bom tom que este perceba e compreenda a narrativa que descrevo, tirando as devidas notas e conclusões, em respeito pela tradição musical, mormente pela cerimónia em que se insere.

(Texto enviado pelo maetro e compositor Francisco M. Relva Pereira)

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