sábado, 27 de junho de 2026

Marchas militares e os seus contextos explicadas por conceituado maestro

Tal como a Sociedade Histórica da Independência de Portugal se dedica a preservar e divulgar momentos-chave da nossa história, também as marchas militares funcionam como uma forma viva de memória coletiva, as quais, constituem um dos elementos mais marcantes da tradição e identidade das Forças Armadas. Caracterizam-se por movimentos coordenados, ritmados e uniformes das tropas, refletindo disciplina, organização e espírito de corpo.No contexto cerimonial, as marchas desempenham um papel fundamental. São utilizadas em desfiles, paradas militares, cerimónias oficiais, rendições de guarda, homenagens e atos solenes. A execução rigorosa dos movimentos, aliada ao acompanhamento por bandas militares, contribui para a solenidade e o simbolismo destes eventos.

Para além do seu valor estético e simbólico, as marchas reforçam valores essenciais da vida militar, como a disciplina, a coesão, o respeito pela hierarquia e o sentido de pertença. A sincronização dos movimentos demonstra a capacidade de atuação coletiva, sendo também uma forma de transmitir confiança, ordem e profissionalismo perante o público.

As marchas militares têm ainda uma forte componente histórica e cultural, variando de país para país, mas mantendo princípios comuns. Em muitos casos, estão associadas a tradições antigas e a momentos marcantes da história militar, sendo preservadas como parte do património das instituições. Durante o século XIX, especialmente após as Guerras Liberais, as bandas militares ganharam maior protagonismo. Passaram não só a acompanhar desfiles e cerimónias oficiais, mas também a atuar em espaços públicos, aproximando a música militar da população civil.

Em Portugal, as Bandas Militares e Militarizadas interpretam habitualmente repertórios de compositores alemães, ingleses, holandeses, franceses, de outros países e também portugueses. Entre esses nomes, destaca-se John Philip Sousa, cujas obras são amplamente conhecidas e executadas. Nascido nos Estados Unidos da América, foi o terceiro de dez filhos, sendo filho de pai português de origem açoriana e de mãe bávara. As suas marchas continuam, ainda hoje, a ser interpretadas em todo o mundo, constituindo referências incontornáveis do género.Entre as suas composições mais emblemáticas encontram-se Semper Fidelis (1888), The Washington Post (1889), King Cotton (1895), El Capitan (1896) e Fairest of the Fair (1908), entre outras. No entanto, a mais célebre é a marcha The Stars and Stripes Forever (1896), considerada a marcha nacional dos Estados Unidos.

Em Portugal, os Chefes de Banda tinham a obrigação de apresentar, anualmente, composições da sua autoria, sendo este um dos requisitos fundamentais para o exercício da função de “maestro militar”. Dessa forma, as bandas militares e militarizadas portuguesas incorporaram um vasto repertório nacional. Assim, para além das composições estrangeiras, interpretam, nas mais diversas cerimónias, numerosas marchas de compositores portugueses, bastante melódicas e harmoniosas, nomeadamente:

Certame Militar do Ten. Cor. Armandino Abreu Silva, Cidade Invicta do Cap. Amílcar Morais, Colossal do Cap. José da Silva Domingues, Guimarães Berço de Portugal do Cap. Domingos Martins Coelho, Infantes de Santana do Ten. Cor. Armandino Abreu Silva, Infantes do 6 do Cap. Amílcar Morais, Marcha Militar n.º 3 do Ten. Cor. Joaquim Alves Amorim, Marcha Patrono do Exército de Joaquim Luiz Gomes, Portugal Eterno do Cap. Domingos Martins Coelho, Região Militar do Centro do Cap. Domingos Martins Coelho, Um Voo do Cap. Joaquim Fernandes Fão, entre muitos outros compositores portugueses.

Em suma, as marchas militares, para além de um exercício técnico, assumem-se como uma expressão simbólica e cultural de grande relevância nos cerimoniais das Forças Armadas.

(Francisco Manuel Relva Pereira – Maestro, compositor e investigador)

domingo, 14 de junho de 2026

Homenagem ao Maestro e compositor Francisco Relva Pereira

Francisco M. Relva Pereira foi homenageado nas comemorações do 25.º aniversário da Confederação Musical Portuguesa, cerimónia que decorreu no passado dia 6 de junho, no Palácio da Independência, em Lisboa. A distinta homenagem foi entregue por Sua Excelência o Secretário de Estado da Cultura, Dr. Alberto Santos, em representação do Ministério da Cultura e do Governo de Portugal.

Segundo as palavras do maestro Francisco M. Relva Pereira, natural de Ançã e diretor artístico da Banda de Santana – Figueira da Foz há 41 anos, «foi com profunda gratidão que recebi a homenagem promovida pela Confederação Musical Portuguesa», distinção que considera extensiva a todos aqueles que, ao longo dos anos, têm partilhado e defendido os mesmos ideais que norteiam o movimento filarmónico português.

O homenageado salientou ainda que este reconhecimento não constitui apenas uma distinção pessoal, mas também uma homenagem a todos os que têm contribuído para a preservação, valorização e dignificação da Filarmonia Portuguesa, bem como para a promoção da qualidade artística e pedagógica das Bandas Filarmónicas e das suas Escolas de Música.

Esta distinção representa, igualmente, um motivo de orgulho para a comunidade musical em geral e, de forma muito especial, para Ançã, Santana e toda a região Centro, vendo reconhecido o percurso de uma personalidade que tem dedicado grande parte da sua vida à música, à formação de jovens músicos e ao desenvolvimento do movimento filarmónico em Portugal.

Perfazendo as suas palavras:

“-Identifico-me plenamente com os princípios da preservação, proteção, dignificação e valorização da Filarmonia Portuguesa, património cultural de inestimável valor e expressão maior da nossa identidade coletiva.

A Confederação Musical Portuguesa tem assumido um papel determinante nesta missão, tendo como principais objetivos a elevação da qualidade artística e organizativa das Bandas Filarmónicas Portuguesas, bem como a melhoria da qualidade do ensino ministrado nas suas Escolas de Música, pilares fundamentais para assegurar o futuro e a sustentabilidade deste movimento.

Por isso, recebi esta distinção com honra e reconhecimento, renovando o meu compromisso para continuar a contribuir, dentro das minhas possibilidades, para a valorização e o engrandecimento da Filarmonia Portuguesa.

O meu sincero agradecimento à Confederação Musical Portuguesa por esta significativa homenagem”.

Como já se referiu, torna-se um motivo de grande orgulho para a comunidade musical, e em particular para os ançanenses, santanenses e para toda a região Centro, ver uma personalidade da música alcançar reconhecimento e prestígio em Portugal e além-fronteiras.

Esta distinção honra o seu percurso, enaltece a sua dedicação à arte musical e constitui uma justa homenagem ao trabalho desenvolvido ao longo de uma vida ao serviço da música e da cultura.

(Texto de António Parreiral)

domingo, 7 de junho de 2026

Ponto de situação das indemnizações dos danos em habitações da Região Centro

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro I.P. (CCDR Centro) tem em desenvolvimento os trabalhos de análise e decisão dos processos de indemnização pelos danos em habitações causados pela tempestade Kristin e outras, num trabalho de equipa com as Câmaras Municipais da Região Centro e com o Governo.
O Presidente da CCDR Centro, José Ribau Esteves, reitera “o testemunho do empenho da equipa de trabalho institucional que tem vindo a concretizar respostas com a devida qualidade e num tempo curto face à quantidade de processos e à complexidade da tarefa”.

O Presidente da CCDR Centro refere ainda que “é relevante anotar que esta tarefa, numa análise comparativa com o tratamento de danos de calamidades de anos anteriores, assume condições de recordista na menor quantidade de tempo utilizada entre a data dos danos causados (com epicentro a 28 de janeiro de 2026) a disponibilização de verba pelo Governo para fazer os
pagamentos, o período de apresentação de candidaturas (até 7 de abril de 2026) e as respostas com decisões e pagamentos aos beneficiários”.

“Entramos em junho de 2026, o mês que se definiu por acordo entre as entidades gestoras como o último para terminar tão importante tarefa, sendo pertinente prestar informação pública com um ponto de situação, apresentando dados respeitantes ao acumulado até ao dia 31 de maio (inclusive)”, concluiu.

No somatório da Região Centro, destaca-se:

Número de candidaturas apresentadas

25.728; nº de candidaturas em análise nos 73 Municípios, 14.168; nº de candidaturas em análise na CCDR Centro, 2.320; nº de candidaturas com indemnizações pagas, 6.237; valor total das indemnizações pagas, 23.716.666,95€; nº de candidaturas indeferidas, 3003; nº de candidaturas decididas, 9.240 (35,9% do total).

Em termos de informação por Município

Número de Municípios com candidaturas apresentadas, 73; nº de Municípios com todas as candidaturas decididas, 8; nº de Municípios com mais de 90% das candidaturas decididas, 10; nº de Municípios com 50% a 89% das candidaturas decididas, 19; nº de Municípios com 25% a 49% das candidaturas decididas, 12; nº de Municípios com menos de 25% das candidaturas decididas, 24.

Situação dos 6 Municípios com mais candidaturas apresentadas, com nº e % de decididas

Leiria: 10.808 / 3.721 (34,4%); Marinha Grande: 3.365 / 243 (7,2%); Pombal: 2.482 / 1.318 (53,1%); Sertã: 972 / 373 (38,4%); Ansião: 878 / 475 (54,1%); Coimbra: 647 / 110 (17%); Soma destes 6 Municípios

19.152, são 74,4% das 25.729 candidaturas apresentadas; e 6.240, são 67,5% das 9.240 das candidaturas decididas.

Esta informação será atualizada com dados de 10 e de 20 de junho 2026.