sexta-feira, 29 de maio de 2026

Banco Alimentar apela à solidariedade de todos em mais uma campanha de recolha de alimentos que decorrerá este fim de semana em mais de 2.000 superfícies comerciais

Este fim de semana, dias 30 e 31 de maio, os 21 Bancos Alimentares realizam uma nova Campanha de recolha de alimentos, que mobiliza cerca de 40 mil voluntários. Para além da campanha presencial, na qual os portugueses podem doar alimentos em mais de 2.000 superfícies comerciais espalhadas por todo o país, a recolha prosseguirá até dia 7 de junho através dos vales disponíveis nos supermercados e também no canal online (www.alimentestaideia.pt).

O Banco Alimentar apela ao contributo individual, incentivando à partilha de alimentos que fazem parte da mesa das famílias, consoante a disponibilidade de cada um, numa ação de solidariedade que assume um caráter coletivo, com vista a melhorar a vida de famílias com necessidades. São muitas as dificuldades que afetam uma elevada percentagem da população e estas ações alertam para uma realidade que é, por vezes, ignorada.

Para Isabel Jonet, Presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, “as campanhas de recolha de alimentos são muito importantes para angariar produtos básicos e para mobilizar toda a sociedade. Em particular, numa altura em que a situação continua muito difícil para muitas famílias, em resultado do impacto da instabilidade internacional que provocou um aumento do preço dos produtos alimentares e da energia e que tem gerado muita apreensão sobretudo junto das famílias mais vulneráveis. Os impactos fazem-se sentir tanto nas famílias como nas instituições de solidariedade que as apoiam. A ajuda alimentar prestada nos lares, no apoio domiciliário, creches, jardins infantis e ainda nos cabazes entregues a famílias acompanhadas é determinante e integra também a certeza de que não estão sós. Muitas são as famílias que graças a esta ajuda conseguem ultrapassar situações pontuais de aperto e dar a volta à vida, sem que falte o mínimo para dar de comer aos filhos. No ano passado, os 21 Bancos Alimentares ajudaram cerca de 370 mil pessoas com carências alimentares comprovadas em parceria com mais de 2.400 instituições sociais”.
Para participar nesta campanha, basta aceitar um saco do Banco Alimentar e colocar nele bens alimentares, de preferência não perecíveis (como leite, conservas, massa, arroz, azeite, açúcar, farinha, entre outros), entregando-o aos voluntários à saída. Os produtos serão depois encaminhados para os armazéns do Banco Alimentar de cada região, onde são pesados, separados e acondicionados para serem entregues às entidades beneficiárias. A distribuição começa de imediato, garantindo que tudo chega à mesa de quem mais precisa.

Ajuda Vale” e Portal de Doação Online:

A participação pode também ser feita através da modalidade “Ajuda Vale”, já utilizada em campanhas anteriores, que assenta na contribuição através de vales de produtos, que estarão disponíveis até dia 7 de junho nas caixas dos supermercados. Cada vale tem um código de barras específico associado aos produtos que cada pessoa quer doar ao Banco Alimentar. As cadeias de distribuição são parceiras fundamentais nesta fase da campanha em que não existe a presença de voluntários, dando visibilidade aos vales do Banco Alimentar e mobilizando os seus colaboradores para a causa da luta contra a fome.

Para quem não pode deslocar-se aos supermercados ou para quem reside fora de Portugal, é possível contribuir através do portal de doação online, em (www.alimentestaideia.pt) onde podem ser doados bens perecíveis até dia 7 de junho. Desta forma, qualquer pessoa terá a oportunidade de contribuir, mesmo que não consiga deslocar-se aos pontos de recolha durante o fim de semana.

O Banco Alimentar destaca o trabalho e esforço dos voluntários e dos doadores que participam nestas ações e dão assim corpo à criação de uma real rede social de solidariedade e de entreajuda, numa verdadeira manifestação do impacto que a sociedade civil tem para ajudar a resolver alguns dos problemas com que se confronta o país.

Os 21 Bancos Alimentares, em parceria com cerca de 2.400 instituições e entidades que atuam no terreno, distribuem diariamente bens alimentares a mais de 370 mil pessoas em Portugal.

35 anos a lutar contra o desperdício para reduzir a pobreza alimentar:

O Banco Alimentar foi criado em Portugal em 1991 com a missão de lutar contra o desperdício e prestar apoio a quem mais precisa de se alimentar, em parceria com instituições de solidariedade e com base no trabalho voluntário. Existem atualmente 21 Bancos Alimentares (nas zonas de Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira, Oeste, Portalegre, Porto, S. Miguel, Santarém, Setúbal, Terceira, Viana do Castelo e Viseu). A Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares representa e congrega a rede dos Bancos Alimentares a nível nacional e internacional.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Jaime Cortesão é uma das figuras mais importantes da vila de Ançã

Jaime Cortesão nasceu a 29 de abril de 1884 em Ançã – Cantanhede e faleceu a 14 de agosto de 1960 na Lapa em Lisboa com 76 anos.
Foi uma das maiores figuras da vila de Ançã e uma personalidade absolutamente marcante da história portuguesa do século XX, tendo também ele grande orgulho em pertencer à sua terra natal.

Médico, historiador, escritor e político, destacou-se não só pela sua obra intelectual, especialmente na área da história dos Descobrimentos, mas também pela firmeza ética e política. Foi um opositor convicto da Estado Novo, o que lhe trouxe consequências pesadas: prisões, perseguição pela PIDE e um longo exílio primeiro em França, fixando-se depois no Rio de Janeiro onde se dedicou ao ensino universitário, especializando-se na história dos Descobrimentos Portugueses, de que resultou a publicação da obra homónima e na formação territorial do Brasil. Tudo isto fruto da sua recusa a Salazar quando o quis “nomear” para Presidente da República.

Relativamente à sua recusa para outros cargos “concedidos” pelo regime, Cortesão valorizava a legitimidade democrática e nunca quis servir de figura decorativa de um sistema em que não acreditava.

Durante esse exílio não ficou parado. Antes pelo contrário, produziu algumas das suas obras mais importantes e teve um papel relevante na vida cultural brasileira. O seu pensamento sobre a expansão portuguesa e a construção da identidade nacional continuam a serem hoje estudados.

Após regressar a Portugal em 1957 onde foi homenageado em Ançã, continuou a ser perseguido pelo seu envolvimento na campanha de Humberto Delgado, tendo sido preso, já com uma certa idade, por quatro dias, mostrando bem o tipo de regime que enfrentava, reforçando ainda mais a dimensão da sua coragem. Em 1958, veio a ser eleito presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores.

A 30 de junho de 1980 foi feito Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e a 3 de julho de 1987 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, ambas a título póstumo.

Grande homem, grande estadista, enorme figura de Ançã, de Portugal e do Mundo!.

Francisco Manuel Relva Pereira, compositor e historiador ançanense, termina este texto que nos remeteu com um anseio:

Pessoalmente, tenho a esperança de que um dia lhe façam uma estátua à altura da sua dimensão cuja personalidade é reconhecida em toda a Europa e além, já que este seu busto (na foto) é pouco visível pois o pedestal, com cerca de dois metros de altura, apresenta 90% de pedra e só 10% dedicado ao busto de Jaime Cortesão!"