Este
fim de semana, dias 30 e 31 de maio, os 21
Bancos Alimentares
realizam uma nova Campanha de recolha de alimentos, que mobiliza
cerca de 40
mil voluntários.
Para além da campanha presencial, na qual os portugueses podem doar
alimentos em mais de 2.000 superfícies comerciais espalhadas por
todo o país, a recolha prosseguirá até dia 7 de junho através dos
vales disponíveis nos supermercados e também no canal
online
(www.alimentestaideia.pt).
O
Banco Alimentar apela ao contributo individual, incentivando à
partilha de alimentos que fazem parte da mesa das famílias,
consoante a disponibilidade de cada um, numa ação de solidariedade
que assume um caráter coletivo, com vista a melhorar a vida de
famílias com necessidades. São muitas as dificuldades que afetam
uma elevada percentagem da população e estas ações alertam para
uma realidade que é, por vezes, ignorada.
Para
Isabel
Jonet, Presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares
Contra a Fome,
“as
campanhas de recolha de alimentos são muito importantes para
angariar produtos básicos e para mobilizar toda a sociedade. Em
particular, numa altura em que a situação continua muito difícil
para muitas famílias, em resultado do impacto da instabilidade
internacional que provocou um aumento do preço dos produtos
alimentares e da energia e que tem gerado muita apreensão sobretudo
junto das famílias mais vulneráveis. Os impactos fazem-se sentir
tanto nas famílias como nas instituições de solidariedade que as
apoiam. A ajuda alimentar prestada nos lares, no apoio domiciliário,
creches, jardins infantis e ainda nos cabazes entregues a famílias
acompanhadas é determinante e integra também a certeza de que não
estão sós. Muitas são as famílias que graças a esta ajuda
conseguem ultrapassar situações pontuais de aperto e dar a volta à
vida, sem que falte o mínimo para dar de comer aos filhos. No ano
passado, os 21 Bancos Alimentares ajudaram cerca de 370 mil pessoas
com carências alimentares comprovadas em parceria com mais de 2.400
instituições sociais”.Para
participar nesta campanha, basta aceitar um saco do Banco Alimentar e
colocar nele bens alimentares, de preferência não perecíveis (como
leite, conservas, massa, arroz, azeite, açúcar, farinha, entre
outros), entregando-o aos voluntários à saída. Os produtos serão
depois encaminhados para os armazéns do Banco Alimentar de cada
região, onde são pesados, separados e acondicionados para serem
entregues às entidades beneficiárias. A distribuição começa de
imediato, garantindo que tudo chega à mesa de quem mais precisa.
“Ajuda
Vale” e Portal de Doação Online:
A
participação pode também ser feita através da modalidade “Ajuda
Vale”, já utilizada em campanhas anteriores, que assenta na
contribuição através de vales de produtos, que estarão
disponíveis até dia 7 de junho nas caixas dos supermercados. Cada
vale tem um código de barras específico associado aos produtos que
cada pessoa quer doar ao Banco Alimentar. As cadeias de distribuição
são parceiras fundamentais nesta fase da campanha em que não existe
a presença de voluntários, dando visibilidade aos vales do Banco
Alimentar e mobilizando os seus colaboradores para a causa da luta
contra a fome.
Para
quem não pode deslocar-se aos supermercados ou para quem reside fora
de Portugal, é possível contribuir através do portal de doação
online, em (www.alimentestaideia.pt)
onde podem ser doados bens perecíveis até dia 7 de junho. Desta
forma, qualquer pessoa terá a oportunidade de contribuir, mesmo que
não consiga deslocar-se aos pontos de recolha durante o fim de
semana.
O
Banco Alimentar destaca o trabalho e esforço dos voluntários e dos
doadores que participam nestas ações e dão assim corpo à criação
de uma real rede social de solidariedade e de entreajuda, numa
verdadeira manifestação do impacto que a sociedade civil tem para
ajudar a resolver alguns dos problemas com que se confronta o país.
Os
21 Bancos Alimentares, em parceria com cerca de 2.400 instituições
e entidades que atuam no terreno, distribuem diariamente bens
alimentares a mais de 370 mil pessoas em Portugal.
35
anos
a lutar contra o desperdício para reduzir a pobreza alimentar:
O
Banco Alimentar foi criado em Portugal em 1991 com a missão de lutar
contra o desperdício e prestar apoio a quem mais precisa de se
alimentar, em parceria com instituições de solidariedade e com base
no trabalho voluntário. Existem atualmente 21 Bancos Alimentares
(nas zonas de Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco,
Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira,
Oeste, Portalegre, Porto, S. Miguel, Santarém, Setúbal, Terceira,
Viana do Castelo e Viseu). A Federação Portuguesa dos Bancos
Alimentares representa e congrega a rede dos Bancos Alimentares a
nível nacional e internacional.
Jaime
Cortesão nasceu a 29 de abril de 1884 em Ançã – Cantanhede e
faleceu a 14 de agosto de 1960 na Lapa em Lisboa com 76 anos.Foi
uma das maiores figuras da vila de Ançã e uma personalidade
absolutamente marcante da história portuguesa do século XX, tendo
também ele grande orgulho em pertencer à sua terra natal.
Médico,
historiador, escritor e político, destacou-se não só pela sua obra
intelectual, especialmente na área da história dos Descobrimentos,
mas também pela firmeza ética e política. Foi um opositor convicto
da Estado Novo, o que lhe trouxe consequências pesadas: prisões,
perseguição pela PIDE e um longo exílio primeiro em França,
fixando-se depois no Rio de Janeiro onde se dedicou ao ensino
universitário, especializando-se na história dos Descobrimentos
Portugueses, de que resultou a publicação da obra homónima e na
formação territorial do Brasil. Tudo isto fruto da sua recusa a
Salazar quando o quis “nomear” para Presidente da República.
Relativamente
à sua recusa para outros cargos “concedidos” pelo regime,
Cortesão valorizava a legitimidade democrática e nunca quis servir
de figura decorativa de um sistema em que não acreditava.
Durante
esse exílio não ficou parado. Antes pelo contrário, produziu
algumas das suas obras mais importantes e teve um papel relevante na
vida cultural brasileira. O seu pensamento sobre a expansão
portuguesa e a construção da identidade nacional continuam a serem
hoje estudados.
Após
regressar a Portugal em 1957 onde foi homenageado em Ançã,
continuou a ser perseguido pelo seu envolvimento na campanha de
Humberto Delgado, tendo sido preso, já com uma certa idade, por
quatro dias, mostrando bem o tipo de regime que enfrentava,
reforçando ainda mais a dimensão da sua coragem. Em 1958, veio a
ser eleito presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores.
A
30 de junho de 1980 foi feito Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e
a 3 de julho de 1987 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do
Infante D. Henrique, ambas a título póstumo.
Grande
homem, grande estadista, enorme figura de Ançã, de Portugal e do
Mundo!.
Francisco
Manuel Relva Pereira, compositor e historiador ançanense, termina
este texto que nos remeteu com um anseio:
“Pessoalmente,
tenho a esperança de que um dia lhe façam uma estátua à altura da
sua dimensão cuja personalidade é reconhecida em toda a Europa e
além, já que este seu busto (na foto) é pouco visível pois o pedestal, com cerca de dois metros de altura, apresenta 90% de pedra e só 10% dedicado ao busto de Jaime Cortesão!"