sexta-feira, 1 de maio de 2026

Jaime Cortesão é uma das figuras mais importantes da vila de Ançã

Jaime Cortesão nasceu a 29 de abril de 1884 em Ançã – Cantanhede e faleceu a 14 de agosto de 1960 na Lapa em Lisboa com 76 anos.
Foi uma das maiores figuras da vila de Ançã e uma personalidade absolutamente marcante da história portuguesa do século XX, tendo também ele grande orgulho em pertencer à sua terra natal.

Médico, historiador, escritor e político, destacou-se não só pela sua obra intelectual, especialmente na área da história dos Descobrimentos, mas também pela firmeza ética e política. Foi um opositor convicto da Estado Novo, o que lhe trouxe consequências pesadas: prisões, perseguição pela PIDE e um longo exílio primeiro em França, fixando-se depois no Rio de Janeiro onde se dedicou ao ensino universitário, especializando-se na história dos Descobrimentos Portugueses, de que resultou a publicação da obra homónima e na formação territorial do Brasil. Tudo isto fruto da sua recusa a Salazar quando o quis “nomear” para Presidente da República.

Relativamente à sua recusa para outros cargos “concedidos” pelo regime, Cortesão valorizava a legitimidade democrática e nunca quis servir de figura decorativa de um sistema em que não acreditava.

Durante esse exílio não ficou parado. Antes pelo contrário, produziu algumas das suas obras mais importantes e teve um papel relevante na vida cultural brasileira. O seu pensamento sobre a expansão portuguesa e a construção da identidade nacional continuam a serem hoje estudados.

Após regressar a Portugal em 1957 onde foi homenageado em Ançã, continuou a ser perseguido pelo seu envolvimento na campanha de Humberto Delgado, tendo sido preso, já com uma certa idade, por quatro dias, mostrando bem o tipo de regime que enfrentava, reforçando ainda mais a dimensão da sua coragem. Em 1958, veio a ser eleito presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores.

A 30 de junho de 1980 foi feito Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e a 3 de julho de 1987 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, ambas a título póstumo.

Grande homem, grande estadista, enorme figura de Ançã, de Portugal e do Mundo!.

Francisco Manuel Relva Pereira, compositor e historiador ançanense, termina este texto que nos remeteu com um anseio:

Pessoalmente, tenho a esperança de que um dia lhe façam uma estátua à altura da sua dimensão cuja personalidade é reconhecida em toda a Europa e além, já que este seu busto (na foto) é pouco visível pois o pedestal, com cerca de dois metros de altura, apresenta 90% de pedra e só 10% dedicado ao busto de Jaime Cortesão!"

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