Jaime Cortesão é uma das figuras mais importantes da vila de Ançã
Jaime
Cortesão nasceu a 29 de abril de 1884 em Ançã – Cantanhede e
faleceu a 14 de agosto de 1960 na Lapa em Lisboa com 76 anos.Foi
uma das maiores figuras da vila de Ançã e uma personalidade
absolutamente marcante da história portuguesa do século XX, tendo
também ele grande orgulho em pertencer à sua terra natal.
Médico,
historiador, escritor e político, destacou-se não só pela sua obra
intelectual, especialmente na área da história dos Descobrimentos,
mas também pela firmeza ética e política. Foi um opositor convicto
da Estado Novo, o que lhe trouxe consequências pesadas: prisões,
perseguição pela PIDE e um longo exílio primeiro em França,
fixando-se depois no Rio de Janeiro onde se dedicou ao ensino
universitário, especializando-se na história dos Descobrimentos
Portugueses, de que resultou a publicação da obra homónima e na
formação territorial do Brasil. Tudo isto fruto da sua recusa a
Salazar quando o quis “nomear” para Presidente da República.
Relativamente
à sua recusa para outros cargos “concedidos” pelo regime,
Cortesão valorizava a legitimidade democrática e nunca quis servir
de figura decorativa de um sistema em que não acreditava.
Durante
esse exílio não ficou parado. Antes pelo contrário, produziu
algumas das suas obras mais importantes e teve um papel relevante na
vida cultural brasileira. O seu pensamento sobre a expansão
portuguesa e a construção da identidade nacional continuam a serem
hoje estudados.
Após
regressar a Portugal em 1957 onde foi homenageado em Ançã,
continuou a ser perseguido pelo seu envolvimento na campanha de
Humberto Delgado, tendo sido preso, já com uma certa idade, por
quatro dias, mostrando bem o tipo de regime que enfrentava,
reforçando ainda mais a dimensão da sua coragem. Em 1958, veio a
ser eleito presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores.
A
30 de junho de 1980 foi feito Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e
a 3 de julho de 1987 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do
Infante D. Henrique, ambas a título póstumo.
Grande
homem, grande estadista, enorme figura de Ançã, de Portugal e do
Mundo!.
Francisco
Manuel Relva Pereira, compositor e historiador ançanense, termina
este texto que nos remeteu com um anseio:
“Pessoalmente,
tenho a esperança de que um dia lhe façam uma estátua à altura da
sua dimensão cuja personalidade é reconhecida em toda a Europa e
além, já que este seu busto (na foto) é pouco visível pois o pedestal, com cerca de dois metros de altura, apresenta 90% de pedra e só 10% dedicado ao busto de Jaime Cortesão!"
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