---------------------- NOTICIAS E ATIVIDADES DE OUTROS SÍTIOS DE PORTUGAL E DO MUNDO ------------------------ .........Página complementar do Jornal Weblog Diário O PALHETAS NA FOZ-Figueira da Foz-Portugal-Europa.........
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Quem o diz é o maestro: Dirigir uma orquestra é muito mais do que apenas estabelecer o ritmo, do outro lado estão pessoas!
Durante anos, era comum pensar-se que uma das maiores responsabilidades de um maestro era fazer com que uma peça soasse como foi imaginada. Estudar a partitura, compreendê-la, construir uma interpretação e ser capaz de transmiti-la aos músicos parecia resumir grande parte do seu trabalho. No entanto, ao longo do tempo, percebe-se que isso é apenas uma parte dessa arte.
Quando um maestro está diante de um naipe, de uma orquestra ou de uma banda de música, não está apenas diante de instrumentos, mas também e principalmente, de pessoas.
Indivíduos que chegam ao ensaio depois de trabalhar, estudar, cuidar das suas famílias ou enfrentar qualquer uma das circunstâncias que fazem parte do seu quotidiano. Cada uma tem uma formação diferente, uma sensibilidade própria, habilidades distintas e uma maneira particular de se relacionar com a música.
Cabe
ao maestro garantir que toda essa diversidade encontre um
ponto de
encontro, uma linguagem comum e uma direção técnica e artística
partilhada e sobretudo que seja assimilada.
Claro que precisamos de conhecimento, experiência, ouvido, capacidade de julgamento e uma ideia musical claríssima. A pergunta artística é inevitável e nunca devemos confundir a componente humana da direção com uma atitude redutora, perante quem procura esclarecer uma dúvida ou compreender a intenção de uma frase, de um determinado fragmento musical ou, até mesmo, da essência da própria obra. Precisamente porque aspiramos alcançar o melhor resultado possível, devemos compreender que um grupo não responde apenas a um gesto correto ou a uma indicação precisa. Necessita também de respeito, confiança, motivação e do sentimento de que cada músico faz parte daquilo que o maestro está a tentar explicar, para poder “construir a pirâmide” melódica, harmónica e rítmica que seja do agrado de todos os executantes e ouvintes.
Por isso, continuo a considerar a direção musical uma arte que nunca é totalmente aprendida. Cada grupo, cada peça e cada ensaio coloca o “mestre” diante de diferentes pessoas e dificuldades, obrigando-o a procurar novas respostas e a reinventar constantemente a sua forma de comunicar, liderar e fazer música.
Apesar da arte sónica poder ser dirigida com as mãos ou com uma batuta, os músicos precisam de muito mais do que um gesto para fazerem música em conjunto, daí ser meu dever deixar este meu pensamento. (Francisco M. Relva Pereira – Maestro e compositor)
sábado, 12 de setembro de 2026
O maior desafio do turismo português pode já não ser atrair turistas
Texto de João Paulo Rodrigues, diretor da Licenciatura em Turismo da Universidade Europeia:"Durante muitos anos, Portugal teve um objetivo claro: afirmar-se como destino turístico, ganhar notoriedade internacional e atrair mais visitantes. Esse caminho foi feito com sucesso. Hoje, o país é reconhecido pela qualidade da oferta, pela segurança, pelo património, pela gastronomia, pelo clima e, sobretudo, pela hospitalidade.
Mas o sucesso traz novos desafios. E talvez o maior desafio do turismo português já não seja conseguir que mais pessoas nos visitem e sim garantir que Portugal continua a ser um bom lugar para viver.
O turismo é uma atividade essencial para a economia nacional. Cria emprego, dinamiza empresas, recupera património, promove territórios e contribui para a internacionalização do país. Seria, por isso, errado transformar o debate sobre pressão turística numa oposição simplista entre residentes e visitantes.
A questão é outra: como garantir que o crescimento turístico cria valor sem comprometer a qualidade de vida das comunidades que tornam cada destino único?
Um destino não é apenas um conjunto de hotéis, restaurantes, monumentos ou experiências. É, antes de tudo, uma comunidade. São as pessoas, os bairros, o comércio local, as tradições e as rotinas que lhe dão identidade. Quando essa identidade começa a desaparecer, perde-se também parte daquilo que o visitante procura.
É aqui que a sustentabilidade turística precisa de ganhar uma dimensão mais ampla. Durante muito tempo, falámos sobretudo de sustentabilidade ambiental. Hoje, temos também de falar de sustentabilidade social.
Isso significa pensar a mobilidade, a habitação, o ordenamento do território, a capacidade de carga dos destinos, a valorização do comércio local e a distribuição dos fluxos turísticos por diferentes regiões e épocas do ano.
Significa também envolver mais os residentes nas decisões sobre o desenvolvimento turístico dos seus territórios. Não podemos medir o sucesso de um destino apenas pelo número de visitantes, dormidas ou receitas. Temos igualmente de perguntar se quem lá vive sente que beneficia desse crescimento.
O futuro do turismo português dependerá da capacidade de encontrar este equilíbrio.
Precisamos de turistas. Mas precisamos igualmente de cidades vivas, comunidades fortes e territórios onde as pessoas queiram continuar a viver, trabalhar e criar família.
Porque existe uma ideia que não podemos esquecer: não há grandes destinos turísticos sem comunidades que tenham orgulho em lhes chamar casa."
Subscrever:
Mensagens (Atom)


